Trabalhadores da JBS nos EUA anunciam greve nesta segunda-feira
Funcionários caminham em frente à entrada da fábrica de processamento de carne da JBS, em 23 de julho de 2021, em Greeley, Colorado. David Zalubowski/AP Cerc...
Funcionários caminham em frente à entrada da fábrica de processamento de carne da JBS, em 23 de julho de 2021, em Greeley, Colorado. David Zalubowski/AP Cerca de 3,8 mil trabalhadores de uma das maiores unidades de processamento de carne da JBS nos Estados Unidos anunciaram uma greve a partir da manhã desta segunda-feira (16), no Colorado. A paralisação deve ocorrer na planta da Swift Beef Co., em Greeley. Segundo o United Food and Commercial Workers Local 7 (UFCW Local 7), sindicato que representa os trabalhadores, esta é a primeira paralisação em um abatedouro de carne bovina nos EUA desde a década de 1980. A decisão ocorreu após acusações do sindicato de que a proprietária da unidade, a JBS USA, retaliou trabalhadores e cometeu outras práticas trabalhistas injustas durante as negociações contratuais. Na unidade de Greeley, a companhia teria tentado intimidar trabalhadores para que deixassem o sindicato durante reuniões individuais, afirmou o conselheiro-geral do sindicato, Matt Shechter. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Kim Cordova, presidente do sindicato, disse que 99% dos trabalhadores votaram pela autorização da greve. Não houve negociações formais durante o fim de semana depois que a empresa recusou um pedido do sindicato para negociar no sábado, disse Shechter. Entre as principais reivindicações estão melhorias nas condições de segurança, reajustes salariais compatíveis com o aumento do custo de vida no Colorado e controle do aumento das despesas com planos de saúde. O sindicato também acusa a empresa de retaliar trabalhadores que defendem direitos trabalhistas e de ameaçar retirar benefícios, como bônus e pagamento único da pensão, caso a paralisação seja realizada. Entre as críticas feitas à empresa está o fato de muitos trabalhadores estarem pagando mais de US$ 1.100 (cerca de R$ 6 mil) para cobrir custos relacionados a equipamentos essenciais de segurança, segundo o sindicato. Além disso, o sindicato afirma que a proposta da empresa prevê aumentos salariais médios inferiores a 2% ao ano, percentual que, segundo a entidade, não acompanha a inflação nem o aumento dos custos com assistência médica. O sindicato também destacou que, em algumas plantas representadas pela entidade no país, funcionários que possuem plano de saúde familiar precisaram destinar cerca de US$ 0,22 de cada US$ 0,30 de aumento anual apenas para cobrir o reajuste dos planos de saúde. Outro ponto levantado pelo sindicato é que a JBS pagou recentemente cerca de US$ 55 milhões para encerrar acusações de conluio com outras grandes empresas do setor de carne bovina — ou seja, de que as companhias teriam combinado entre si para manter os salários dos trabalhadores artificialmente baixos. Segundo o sindicato, a diferença entre a proposta salarial apresentada pelos trabalhadores e a última proposta da empresa seria de aproximadamente US$ 30 mil por semana para toda a planta, valor que, na avaliação da entidade, é pequeno diante do volume de lucros da unidade. A presidente do sindicato, Kim Cordova, afirmou que a paralisação é uma medida extrema diante da falta de avanços nas negociações. “O objetivo das negociações nunca é entrar em greve, mas quando a empresa viola os direitos dos trabalhadores e ignora suas preocupações com segurança e saúde, não resta outra escolha a não ser se unir em solidariedade”, disse. A greve esperada acontece em um momento de baixa histórica na população de gado dos EUA. O inventário de 1º de janeiro contabilizou 86,2 milhões de animais, o que representa uma queda de 1% em relação ao ano anterior. Além disso, os preços da carne bovina aumentaram a ansiedade econômica nos EUA, enquanto o governo do presidente Donald Trump recorreu a um acordo comercial com a Argentina em esforços para reduzir os preços dos alimentos, incluindo a carne bovina. A JBS USA disse em comunicado que qualquer funcionário que não quisesse entrar em greve teria trabalho e seria remunerado. A empresa afirmou que operaria dois turnos na fábrica nesta segunda-feira e que transferiria temporariamente a produção, conforme necessário, para outras unidades da JBS. O comunicado dizia que a empresa opera em total conformidade com as leis trabalhistas federais e estaduais. "Nosso objetivo é minimizar o impacto para nossos clientes, nossos parceiros e o mercado em geral, enquanto trabalhamos para uma resolução justa em Greeley", afirmou a empresa. *Com informações das agências de notícias Reuters e Associated Press (AP) e do sindicato United Food and Commercial Workers Local 7 (UFCW Local 7).